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Hemo 2018

O Hemo 2018, o Congresso Brasileiro de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, acontece de 31 de outubro a 3 de novembro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. As inscrições estão abertas. Informações no site: http://hemo.org.br/.

Transplante de medula óssea: haploidêntico ou cordão

O Congresso da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea recebeu dois convidados internacionais na manhã da sexta-feira, dia 2 de agosto, para debater o uso de sangue de cordão umbilical e o transplante haploidêntico. Stefan Ciurea, do Departamento de Transplante de Células-tronco e Terapia Celular do MD Anderson, e Juliet Barker, Diretora do Programa de Transplante de Sangue de Cordão do Sloan Kettering Cancer Center, falaram sobre os prós e contras do uso das duas fontes para os transplantes e como os especialistas poderiam vislumbrar um futuro para a área.

Ambos os palestrantes falaram que a realidade, hoje, é que para todo paciente há uma chance, seja ela um doador familiar, voluntário ou as células do sangue do cordão umbilical. Mas o que os trabalhos de Ciurea e Barker demonstram é que não há uma resposta imediata para a pergunta: qual a melhor fonte para o procedimento? O doador totalmente compatível permanece sendo o primeiro da lista, mas mesmo em casos de compatibilidade fatores como tempo e disponibilidade podem alterar esta equação.

Os transplantes haploidênticos se mostram como uma solução viável e com bons resultados para determinados casos, como o levantamento de Ciurea mostram. Porém, os dados também mostram necessidade de cautela, uma vez que não são tão consistentes em todos os tipos de doenças e mesmo em todos os centros de transplante. “Podemos dizer que o transplante haploidêntico traz menos limitações para o paciente, menos chances de complicações, mas ainda é preciso de mais tempo de acompanhamento dos pacientes para ter resultados consistentes”, explicou Ciurea.

Já o trabalho de Juliet Barker apresentou seu trabalho realizado na Europa, local onde haveria mais miscigenação e, por isso, a médica decidiu focar seus estudos. Para Barker, a vantagem principal do uso do cordão é a disponibilidade, que traz mais rapidez para o procedimento. Mas ela questionou a necessidade de haver um “ranking” das fontes para transplante: “O foco não deveria ser qual dos dois é melhor, mas fazer o melhor transplante, ou seja, quem vai fazer haplo, que seja feito da melhor maneira, quem vai usar cordão, que seja da melhor maneira”.

Ao final das apresentações, o Presidente do Congresso e moderador do debate, Luís Fernando Bouzas, fez uma provocação e perguntou aos palestrantes sobre o fato de que alguns especialistas brasileiros questionam a manutenção dos bancos de sangue de cordão públicos da Rede BrasilCord. Stefan Ciurea acredita que há espaço para todas as fontes, especialmente em uma população tão diversa quanto a do Brasil. “Nem todo mundo vai ter um doador haploidêntico, mas a questão principal, nesse caso, é a relação custo-benefício”, disse. Baker defendeu o uso do cordão e os bancos públicos: “Acho que o cordão funciona melhor para um determinado grupo de pacientes e aqui já existe a infraestrutura”, ressaltou.juliet