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O QUE PACIENTES EM PROGRAMA DE HEMATOLOGIA E TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA PRECISAM SABER?

Recomendações da SBTMO para os Pacientes em Programas de Hematologia e Transplante de Medula Óssea (TMO) se prevenirem da COVID-19

Querido (a) Paciente,

Sabemos que todos tem conhecimento da chegada de uma nova infecção viral no mundo todo e agora no Brasil chamada COVID-19, causada por um subtipo de coronavírus.

Devemos lidar com esta ameaça com muito respeito e seriedade, mas sem pânico. Medidas simples e o isolamento social relativo ajudam muito a evitar a propagação deste vírus.

Muito importante é termos em mente que orientações se modificam quase diariamente quando vamos conhecendo melhor a epidemiologia, grupos de risco, diagnóstico, tratamento e prevenção desta doença.

Listamos algumas medidas simples que consideramos importantes para evitar a infecção:

  • Afaste-se das pessoas que estejam potencialmente doentes. Evite amigos e familiares com sintomas gripais.

 

  • Lave as mãos com frequência por no mínimo 20 segundos com água e sabão; se não for possível, use um desinfetante para as mãos (álcool 70 em gel)

 

  • Se você estiver com sintomas gripais, notifique sua equipe médica antes de vir ao hospital e use máscara na sua chegada.

 

  • Se você esteve em contato com uma pessoa com COVID-19 ou retornou de viagens a países com alta taxa de casos de coronavírus como China, Irã, Coreia do Sul, Itália está indicado isolamento por 14 dias e no caso de aparecimento de sintomas gripais, notifique sua equipe médica.

 

  • Está indicado coleta do exame do coronavírus somente em pacientes sintomáticos de gripe. Pois pacientes assintomáticos podem apresentar resultado falso negativo.

 

  • Tente não tocar seu rosto, especialmente seus olhos, nariz e boca. Caso espirre ou tussa, cubra sua boca e nariz com o cotovelo ou usando lenços de papel descartável, jogando-os fora imediatamente. Lave as mãos ou utilize álcool gel após.

 

  • Evite cumprimentar com as mãos, abraços e beijos pelo menos neste momento.

 

  • Fique em casa o máximo possível nesse momento de crise. Se você precisar sair, evite multidões e tente ficar a 2 metros de distância de outras pessoas. Evite viajar.

 

  • Em locais com grande circulação do vírus, filhos ou irmãos pequenos de pacientes transplantados não devem ir a escolas, creches e nem atividades junto com outras crianças, já que podem mesmo assintomáticos transmitir o COVID-19 para seus familiares. Em crianças, os sintomas respiratórios podem ser muito leves, incluindo diarreia, mas a eliminação viral pode ser bastante prolongada. Por isso, precisamos ficar atentos e nos precavermos.

 

  • Pacientes devem procurar o hospital, caso apresentem dispneia, para serem admitidos. As alterações à tomografia são muito mais evidentes do que ao Rx e a intubação precoce pode aumentar a chance de recuperação e diminuir a disseminação da doença.

 

  • Tenha a quantidade de medicação correta para seu tratamento hematológico, que possa ser necessário caso você tenha que ficar em casa por um período mais prolongado durante o pico do surto. Informe-se sobre isso com a equipe médica.

 

  • Verifique também se você possui em casa quantidade suficiente de medicamentos para febre e outros sintomas gripais, além de lenços de papel.

 

  • Sem cometer exageros, tenha quantidade suficiente de alimentos e itens do lar que possam ser necessários caso tenha que permanecer recluso por um período prolongado. Planeje como receber alimentos por meio de familiares e amigos ou por serviços de entrega, caso venha a ser preciso.

 

  • Na medida do possível, evite tocar em qualquer superfície de locais públicos com alta concentração de pessoas – botões do elevador, maçanetas, corrimãos etc. Caso necessário use um lenço de papel ou sua manga para cobrir sua mão. Se usar as mãos sem proteção, lave-as assim que possível ou passe álcool 70 em gel.

 

  • Limpe e desinfete com frequência os objetos de casa ou de uso pessoal utilizados com mais frequência (mesas, maçanetas, interruptores de luz, torneiras, telefones celulares, teclados de computador).

 

  • Tome vacina para gripe (INFLUENZA). Ela não protege do coronavírus mas, no inverno, estamos sujeitos a vários vírus respiratórios, principalmente influenza

 

  • Não compartilhe alimentos e objetos de uso pessoal

 

  • Observe os sintomas da COVID-19 que incluem febre, tosse e falta de ar. Se você sentir que está desenvolvendo esses sintomas, ligue para seu médico ou equipe de Hematologia e/ou TMO.

 

A COVID-19 é apenas mais um dos muitos desafios que todos nós enfrentamos e você, em especial, pois fez ou está em tratamento imunossupressor ou transplante de medula. Estamos preparados e disponíveis para ajudá-lo. Temos que nos manter sem pânico, tomando as medidas gerais importantes até esta onda passar.

A SBTMO lembra que como se trata de um vírus altamente mutável, o que têm feito com que as orientações sofram alteração em conformidade com o melhor conhecimento da doença. Por isso, procuraremos fornecer informações atualizadas para você e sua família se manterem saudáveis, conforme necessário.

Fonte: Diretoria da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO)

Recomendação da EBMT sobre: DOENÇA DE CORONAVIRUS (COVID-19)

 Um novo coronavírus: atualmente denominado SARS-CoV-2, um vírus de origem zoonótica, surgiu e a infecção chamada “Coronavirus Diseases 2019” (COVID-19) começou a se espalhar pelo mundo. Em 29 de fevereiro, o vírus já estava presente em 53 países, com taxa de mortalidade de aproximadamente 2%.

Período de incubação: O tempo entre a exposição e o desenvolvimento dos sintomas é de 2 a 14 dias.

Profilaxia e tratamento: Atualmente, não há opções de tratamento aprovadas e não há vacina disponível. Evitar a exposição aderindo aos procedimentos de higiene recomendados, isolamento de pessoas infectadas com COVID-19 e distanciamento social são as únicas estratégias de prevenção.

Orientações da EBMT: Devido à rápida disseminação do COVID-19, o painel de especialistas da EBMT recomenda as seguintes orientações para receptores e doadores de células hematopoiéticas antes do início de qualquer procedimento de transplante (mobilização, aférese, coleta de medula, condicionamento). Essas diretrizes serão atualizadas quando novas informações forem obtidas sobre a epidemiologia do COVID-19 e os resultados clínicos.

Receptores:

  • Em caso de diagnóstico de COVID-19: De acordo com as recomendações do ECDC, os pacientes devem ser adiados por pelo menos três meses. No entanto, isso nem sempre é possível devido ao risco da doença subjacente. Portanto, em pacientes com alto risco doença, o TCTH deve ser adiado até que o paciente esteja assintomático e tenha três negatividades repetidas da PCR do vírus com pelo menos uma semana de intervalo. Em pacientes com doença de baixo risco, recomenda-se um adiamento do TCTH por três meses.
  • No caso de sintomas de uma infecção aguda do trato respiratório (febre, tosse ou outros sintomas atribuídos a infecções respiratórias virais), os pacientes devem ser testados quanto a infecções virais respiratórias, preferencialmente por PCR multiplex e, dependendo do vírus detectado, o adiamento do TCTH deve ser considerado.
  • Em caso de contato próximo com uma pessoa diagnosticada para COVID-19, nenhum procedimento de transplante (mobilização de PBSC, colheita de BM, condicionamento) não deve ser realizado dentro de pelo menos 14, preferencialmente 21 dias após o último contato. O paciente deve ser monitorado de perto quanto à presença de COVID-19, com negatividade confirmada da PCR.
  • Os pacientes transplantados com células-tronco devem abster-se de viajar desnecessariamente para áreas designadas como áreas de alto risco pela OMS.
  • No caso de viajar para uma área de alto risco ou um contato próximo com uma pessoa que viaja de uma área de alto risco para o COVID-19 (conforme definido pelas autoridades de saúde *), qualquer procedimento de transplante (mobilização PBSC, coleta BM, condicionamento) não deve ser realizado em pelo menos 14 dias, preferencialmente 21 dias após o último contato.

Doadores:

  • No caso de diagnóstico de COVID-19, o doador deve ser excluído da doação. No momento, não é possível fazer recomendações quando esse indivíduo pode ser liberado para doação.
  • Em caso de contato próximo com uma pessoa diagnosticada com doador COVID-19, será excluído da doação por pelo menos 21 dias. O doador deve ser monitorado de perto quanto à presença de COVID-19.
  • No caso de viajar para áreas de alto risco para o COVID-19 (conforme definido pelas autoridades de saúde *) ou ser um contato próximo com quem viaja dessa área, o doador será excluído da doação por pelo menos 21 dias.
  • Considere a criopreservação do enxerto do doador não relacionado pelo menos 21 dias antes de iniciar o regime preparatório. Solicite informações atualizadas sobre a condição de saúde do doador 21 dias após a doação de células.
  • Se possível, verifique se uma fonte alternativa de células-tronco estará disponível.
  • Os doadores dentro de 21 dias antes da doação devem praticar boa higiene e evitar locais lotados e grandes reuniões de grupos.

 

As recomendações da OMS sobre como proteger a si e aos outros do COVID-19

  1. Lave as mãos frequentemente com um esfregão à base de álcool ou com água e sabão.
  2. Mantenha um distanciamento social de pelo menos 1 metro entre você e qualquer pessoa que esteja tossindo ou espirrando.
  3. Evite tocar nos olhos, nariz e boca.
  4. Pratique a higiene respiratória (cubra a boca e o nariz com o cotovelo ou o tecido dobrado quando tossir ou espirrar e, em seguida, descartar o tecido imediatamente).
  5. Se você tiver febre, tosse e dificuldade em respirar, procure atendimento médico com antecedência, mas ligue com antecedência e siga as instruções da autoridade de saúde local.
  6. Mantenha-se informado e siga as orientações fornecidas pelo seu médico, sua autoridade nacional e local de saúde pública, pois eles podem fornecer informações confiáveis ​​sobre a disseminação do COVID-19 em sua área.
  7. Além disso, no caso de pessoas que estão ou visitaram recentemente (há 14 dias) áreas em que o COVID-19 está se espalhando, fique em casa se começar a se sentir mal, mesmo com sintomas leves, até se recuperar, mas se você desenvolva febre, tosse e dificuldade em respirar, procure orientação médica imediatamente, ligando para o seu médico para que você possa ser rapidamente direcionado para o centro de saúde certo.

Unimed Volta Redonda realiza primeiro transplante de medula óssea de doador que não era da mesma família

O Hospital Unimed de Volta Redonda realizou o primeiro transplante de medula alogênico não aparentado, ou seja, o doador foi encontrado no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) e não foi da família. A unidade hospitalar já realizou mais de 40 procedimentos, sendo o único hospital da região autorizado a fazer transplantes do tipo autólogo e alogênico, com doadores aparentados. O transplante foi realizado em Paulo Moura, de 62 anos, que foi surpreendido pela equipe médica e de enfermagem com uma festa em comemoração à pega da medula.

Segundo o vice-presidente da Instituição, Dr. Vitório Moscon Puntel, esse transplante confirma o quanto o Hospital Unimed Volta Redonda está preparado para atender casos de alta complexidade. “Trabalhamos de maneira continua com foco em humanização, tecnologia e profissionalização com o compromisso de entregar a melhor experiência em cuidar”, disse.

Entendendo o caso

Há três anos Paulo Moura, descobriu, durante uma consulta de rotina, a mielofibrose, que é um tipo raro de câncer que afeta as células responsáveis pela produção de sangue na medula óssea. Foi um ano de exames até chegar ao diagnóstico, um longo período de tratamento e cerca de seis meses a espera de um doador.

Segundo contou Paulo, ele teve três doadores 100% compatíveis, além das filhas que tinham 50% de compatibilidade. “já suspeitava que a medula tinha pegado, mas a sensação de ser surpreendido pela equipe do Hospital com a notícia é de renascimento. E claro que ainda tenho um caminho a percorrer, mas o principal era a medula pegar. Durante os 42 dias de internação fui muito bem cuidado. A equipe de enfermagem é espetacular e cada médico e melhor que o outro”, concluiu.

 

Oportunidade para financiamento de pesquisas biomédicas

O Ministério da Saúde e o National Institutes of Health, órgão de desenvolvimento de pesquisas do governo dos Estados Unidos, lançaram chamada conjunta para estudos de pesquisadores brasileiros em parceria com pesquisadores vinculados às instituições norteamericanas elegíveis. As inscrições começam em fevereiro. Uma dos temas contemplados no edital refere-se à imunologia e transplantes.

Para mais informações e edital: http://pesquisasaude.saude.gov.br/noticiaLerMais.xhtml?id=1050

programa de colaboração em pesquisa biomédica

Após 12 horas de transplante, empresário com leucemia recebe medula óssea doada por polonês 90% compatível

Procedimento foi realizado nesta sexta-feira (30), no Instituto Brasileiro de Controle do Câncer, em São Paulo. Thiago Wilfer foi diagnosticado com a doença em janeiro de 2017.

O tão esperado dia chegou: depois de quase 12 horas de operação, o empresário sorocabano Thiago Wilfer, diagnosticado com leucemia em janeiro de 2017, recebeu o transplante de medula óssea doada por um polonês, de 26 anos, 90% compatível com ele.

O procedimento foi realizado nesta sexta-feira (30), no Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC), em São Paulo, onde Thiago está internado desde o dia 22 de novembro.

De acordo com a esposa dele, Marina Wilfer, que fez uma transmissão ao vivo no Facebook minutos antes do transplante, o transplante teve início por volta das 11h30 e terminou às 23h15. Ao todo, Thiago recebeu três bolsas.

No fim da noite, Marina publicou uma mensagem em sua conta pessoal comemorando o sucesso do transplante e o fato de que o marido não teve reação alguma durante o procedimento.

“Agora começa a espera pela PEGA da medula, o dia em que ela começará a funcionar no corpo do Thiago, o dia em que saberemos que o transplante funcionou…esse dia será considerado o novo nascimento dele! Estou apostando no dia 18/12, mas o dia que for será muito comemorado e feliz!”, disse.

De acordo com ela, até se acostumar à nova medula óssea, Thiago ficará com imunidade zerada e precisará de todos os cuidados possíveis para não pegar nenhuma infecção.

Marina encerra o post agradecendo ao doador, à equipe médica responsável pelo tratamento do empresário e aos amigos e familiares.

“Nossos corações estão cheios de gratidão! Gratidão primeiramente a Deus pela vida do Thiago, ao anjo doador pelo ato heróico de amor ao próximo e por dar a segunda chance de vida ao Thiago! Amamos todos vocês!”, completou.

Luta pela vida

Após o diagnóstico de leucemia, a luta de Thiago para encontrar um doador de medula óssea compatível começou em junho deste ano, com uma campanha nas redes sociais que incentivou o cadastro no banco de doadores.

Voluntários se comoveram com a história e foram até o Hemonúcleo de Sorocaba para realizar o cadastro, mas o limite de 200 cotas por mês gerou muitas indignações nas redes sociais. Diante da situação, os doadores organizaram caravanas para hemonúcleos de São Paulo e Campinas.

Foi então que um doador da Polônia, com 90% de compatibilidade, foi encontrado. Os médicos fizeram exames que indicaram que os 10% de incompatibilidade não apresentariam rejeição durante o transplante.

Pouco antes do procedimento, os médicos descobriram tumores na cabeça de Thiago, que precisou fazer uma série de oito radioterapias para combater o problema.

Fonte: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2018/12/01/apos-12-horas-de-transplante-empresario-com-leucemia-recebe-medula-ossea-doada-por-polones-90-compativel.ghtml

Nobel de Medicina vai para pesquisa de tratamento de câncer

A imunoterapia, um tipo de tratamento que usa o sistema imune para atacar células de câncer, levou dois pesquisadores, um americano e um japonês, a ganharem o prêmio Nobel de Medicina este ano. Os cientistas desenvolveram uma terapia que faz com que as células de defesa do próprio organismo do paciente voltem a atacar os tumores.

Leia a notícia:

Superinteressante: https://super.abril.com.br/ciencia/nobel-de-medicina-2018-vai-para-os-pais-da-imunoterapia-contra-o-cancer/

Saiba mais sobre imunoterapia: http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=104

imunoterapia

Citômetro de fluxo

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A MedCel conta agora com um citômetro de fluxo entre seus equipamentos. Antes, a análise era feita em um laboratório parceiro.

O aparelho faz a contagem, classifica e analisa as características das células, em grandes quantidades e em pouco tempo.

O objetivo de ter o citômetro na própria MedCel é garantir uma grande vantagem para os pacientes, que vão ter um diagnóstico preciso muito mais rapidamente.

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Aulas do Congresso da SBTMO estão disponíveis

A Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO) disponibilizou para download algumas aulas ministradas durante o seu Congresso, realizado no Rio de Janeiro, entre os dias 2 e 4 de agosto. Também estão disponíveis as seções dos cursos pré-congresso. Entre as aulas disponíveis, você pode baixar a palestra “aplicação do CAR-T Cell no Brasil”, apresentada durante a Conferência Magna por Nelson Hamerschlak; DECH Crônica – Avanços e lições da Clínica, da convidada internacional Mary Flowers; e dados sobre o Registro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), aula ministrada pela coordenadora do Redome, Danielli Oliveira.

Veja as apresentação no link: http://sbtmo2018.com.br/aulas-sbtmo-2018/.

 

 

Transplante de medula óssea: haploidêntico ou cordão

O Congresso da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea recebeu dois convidados internacionais na manhã da sexta-feira, dia 2 de agosto, para debater o uso de sangue de cordão umbilical e o transplante haploidêntico. Stefan Ciurea, do Departamento de Transplante de Células-tronco e Terapia Celular do MD Anderson, e Juliet Barker, Diretora do Programa de Transplante de Sangue de Cordão do Sloan Kettering Cancer Center, falaram sobre os prós e contras do uso das duas fontes para os transplantes e como os especialistas poderiam vislumbrar um futuro para a área.

Ambos os palestrantes falaram que a realidade, hoje, é que para todo paciente há uma chance, seja ela um doador familiar, voluntário ou as células do sangue do cordão umbilical. Mas o que os trabalhos de Ciurea e Barker demonstram é que não há uma resposta imediata para a pergunta: qual a melhor fonte para o procedimento? O doador totalmente compatível permanece sendo o primeiro da lista, mas mesmo em casos de compatibilidade fatores como tempo e disponibilidade podem alterar esta equação.

Os transplantes haploidênticos se mostram como uma solução viável e com bons resultados para determinados casos, como o levantamento de Ciurea mostram. Porém, os dados também mostram necessidade de cautela, uma vez que não são tão consistentes em todos os tipos de doenças e mesmo em todos os centros de transplante. “Podemos dizer que o transplante haploidêntico traz menos limitações para o paciente, menos chances de complicações, mas ainda é preciso de mais tempo de acompanhamento dos pacientes para ter resultados consistentes”, explicou Ciurea.

Já o trabalho de Juliet Barker apresentou seu trabalho realizado na Europa, local onde haveria mais miscigenação e, por isso, a médica decidiu focar seus estudos. Para Barker, a vantagem principal do uso do cordão é a disponibilidade, que traz mais rapidez para o procedimento. Mas ela questionou a necessidade de haver um “ranking” das fontes para transplante: “O foco não deveria ser qual dos dois é melhor, mas fazer o melhor transplante, ou seja, quem vai fazer haplo, que seja feito da melhor maneira, quem vai usar cordão, que seja da melhor maneira”.

Ao final das apresentações, o Presidente do Congresso e moderador do debate, Luís Fernando Bouzas, fez uma provocação e perguntou aos palestrantes sobre o fato de que alguns especialistas brasileiros questionam a manutenção dos bancos de sangue de cordão públicos da Rede BrasilCord. Stefan Ciurea acredita que há espaço para todas as fontes, especialmente em uma população tão diversa quanto a do Brasil. “Nem todo mundo vai ter um doador haploidêntico, mas a questão principal, nesse caso, é a relação custo-benefício”, disse. Baker defendeu o uso do cordão e os bancos públicos: “Acho que o cordão funciona melhor para um determinado grupo de pacientes e aqui já existe a infraestrutura”, ressaltou.juliet